Dança

Coordenadora:
Gabriela Córdova Chistóforo

Supervisora:

Maria Cristina Oliveira
Marlaina Fernandes Roriz

Escola parceira:

E. M. Professora Eleonora Pieruccetti
Centro Pedagógico – UFMG

 

 

Pensando o ensino de Dança como componente curricular obrigatório na Educação Básica, deparamo-nos com a seguinte questão: Como ensinar Dança nas escolas?

A reposta que este projeto apresenta e que norteia todas as ações aqui apresentadas, parte do seguinte princípio: a Arte, no caso, a Dança, deverá ser ensinada como as outras áreas do conhecimento humano. E, como acontece em cada uma dessas áreas, a Dança deverá ser ensinada de acordo com suas especificidades e códigos próprios, que devem ser acessados e desvelados (Diaz, 2007).

A arte na escola tem como objetivo a formação basal do aluno, que antecede a formação profissional. Desse modo, concordamos com Laban (1990), que esclarece que na escola, onde se desenvolve a educação, “não é visada nem a perfeição artística, nem a criação ou a apresentação de danças extraordinárias, mas o benefício da atividade criadora sobre a personalidade do aluno“.

O trabalho proposto aqui está pautado na inserção da Dança como área de conhecimento com conteúdos próprios e suas especificidades no projeto político pedagógico da escola pública, a partir da atuação dos licenciandos em Dança do Curso de Licenciatura em Dança da EBA/UFMG. Assim, proporcionar ao alunado de licenciatura, a experiência docente no contexto em que, em um futuro próximo, irá atuar. Concordando com Marques (2001), a pluralidade de conexões artístico-pedagógicas possíveis não se viabiliza somente pelos procedimentos e métodos escolhidos pelo professor, mas relacionado a eles está  a escolha dos conteúdos de Dança a serem trabalhados que estão entrelaçados aos conteúdos individuais, culturais e sociais dos alunos. Esta proposta pretende oferecer aos alunos de licenciatura em Dança a possibilidade de desenvolver habilidades concretas por meio da aplicação de conhecimentos apreendidos no curso de Licenciatura fundamentados por teóricos como Laban (1990), Vianna (1990), Marques (2001) e Barbosa (2002), contribuindo com as escolas públicas enquanto agentes que divulgam, nesses espaços, especificidades do ensino de Dança, em três eixos: o fazer artístico, a apreciação estética, e a contextualização da arte.

Sancionada em 1996, a Lei Nº 9394/96 – Lei de Diretrizes e Bases (LDB), instituiu queo ensino da arte constituirá componente curricular obrigatório, nos diversos níveis da educação básica, de forma a promover o desenvolvimento cultural dos alunos” (Art. 26 §2º). Como um importante desdobramento, a fim de efetivar essas mudanças, temos, em 1997, os Parâmetros Curriculares Nacionais – PCN Arte (vol.6), constituídos pelo Ministério da Educação – MEC, com a finalidade de instrumentalizar o docente para essa área de ensino. Nos PCNs constam orientações didáticas relativas aos conteúdos selecionados pelo professor para o trabalho artístico em sala de aula. Tais direcionamentos objetivam auxiliar nas escolhas do docente para que as mesmas estimulem os alunos a produzir, compreender e analisar os próprios trabalhos e apreender noções e habilidades para apreciação estética e análise crítica do patrimônio cultural artístico (PCN v.6, 1997, p. 105).

No entanto, é possível verificar que não tem havido avanços efetivos do ensino de Arte na escola, particularmente do ensino de Dança. Uma razão plausível é que o uso adequado do PCN depende de uma base de formação em Dança, que antecede a utilização desses materiais. O professor deve ter um domínio teórico-prático mínimo acerca dessa área, a fim de obter qualidade em suas atividades. Desse modo, essas mudanças legais na área educacional levam à configuração de um novo campo a ser delimitado e conquistado no contexto da escola. Isso porque a Lei não é suficiente para garantir à Arte, ou a qualquer outra área de conhecimento, a sua legitimidade e concretização no espaço escolar. Outros fatores também interferem na efetivação dessas mudanças como, por exemplo, a oferta de cursos de licenciatura em Dança, que no caso de Belo Horizonte, só aconteceu no 2º semestre de 2010. Assim, concordamos com Terra (2010, p.75), quando essa autora diz que as mudanças que perpassam o campo profissional da Dança, no Brasil, demanda investimentos relacionados à formação do artista-docente, bem como revisões de projetos pedagógicos de instituições de ensino. Ressaltamos nesse contexto, ações voltadas para a implantação efetiva do ensino de Dança na educação básica. Diante do panorama apresentado, consideramos que o PIBID possa contribuir, significativamente, para a efetivação do ensino de Dança nas escolas públicas.

Diante de desafios, como a restrita cultura artística de Dança do docente da escola, por um lado, e o distanciamento do graduando da realidade escolar, por outro, e com a finalidade de estabelecer uma relação dialógica, o objetivo geral deste projeto é propiciar a ampliação dos conhecimentos teóricos e experiências práticas tanto na perspectiva dos alunos-bolsistas da área de Dança, como do professor de Arte da escola. Desta forma será possível estabelecer uma dinâmica de convivência e troca, levando a realidade escolar para a Universidade, e ao mesmo tempo, as discussões acadêmicas para a escola.

 

REFERÊNCIAS

BARBOSA, Ana Mae. Inquietações e mudanças no ensino da arte. São Paulo: Cortez, 2002.

BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei 9394 de 20 de dezembro de 1996.

_______. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: Arte. Volume 6. Brasília: MEC/SEF, 1997.

DIAZ, Marília. O ensino da arte no lixo, o lixo no ensino da arte, 2007.

LABAN, Rudolf. Dança educativa moderna. São Paulo: Ícone, 1990.

MARQUES, Isabel A. Ensino de dança hoje: textos e contextos. São Paulo:Cortez, 2001.

VIANNA, Klauss. A Dança. São Paulo: Siciliano, 1990.