História da FaE

Um pouco de história

A Faculdade de Educação da UFMG foi criada pelo Decreto-lei no. 62.317 de 28 de fevereiro de 1968, que reestruturou a Universidade Federal de Minas Gerais. É resultado do desdobramento do Departamento de Pedagogia e Didática da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras, na época, responsável pelo Curso de Pedagogia e pelo Curso de Didática. A partir de 28 de fevereiro de 1972, a Faculdade de Educação passou a funcionar no Campus Universitário da Pampulha, no prédio, anteriormente destinado a abrigar o Colégio Universitário.

Em 1939, um grupo de professores do Colégio Marconi de Belo Horizonte reuniu-se e planejou a criação de uma Faculdade de Filosofia com base no Decreto – lei no. 421 de 11 de maio de 1938, que se referia à instituição e funcionamento de escolas de ensino superior no país. Depois de quase um ano de trabalho, em 21 de abril de 1939, realizou-se a seção magna de fundação da nova Faculdade. A sua autorização de funcionamento se fez por meio do Decreto Federal no. 6486 de 5 de novembro de 1940 e o reconhecimento dos cursos se deu pelos Decretos no. 20 825 de março de 1946 e de no. 23 841 de 14 de outubro de 1947. Após um percurso de quase 10 anos de efetivo exercício, a Faculdade de Filosofia se incorporou à então denominada Universidade de Minas Gerais.

O Curso de Pedagogia assim como os de Filosofia, Letras, Geografia e História, Ciências Sociais, História Natural, Física, Química e Matemática eram estruturados com a duração de três anos e formavam os bacharéis. Esses concluintes tinham o direito à matrícula no Curso de Didática, que lhes conferiria o título de Licenciados. O Curso de Didática começou a funcionar em 1944, época em que os primeiros bacharéis foram formados.

Os primeiros nomes a comporem o corpo docente do Curso de Pedagogia e do Curso de Didática foram: Filocelina da Costa Matos Almeida (Didática), Alaíde Lisboa de Oliveira (Didática), Helena Antipoff (Psicologia), Pedro Parafita de Bessa (Psicologia), Alda Lodi (Administração escolar), Carlos dos Anjos Duarte de Andrade (Administração escolar), Braz Pelegrino (Biologia) e Morse Belém Teixeira (sociologia). Alguns destes docentes estavam diretamente ligados à Escola de Aperfeiçoamento, curso pós-normal destinado à formação de uma elite de professores que, no Estado de Minas Gerais, estaria à frente do processo de gestão da educação mineira na primeira metade do século XX. O diploma do Curso de Aperfeiçoamento foi reconhecido pelo CNE como a titulação necessária e suficiente para a nomeação desses novos professores, integrantes dos Cursos que começavam a se expandir. Em 1954, o então diretor da Faculdade de Filosofia, professor Antônio Camilo de Faria Alvim criou o Ginásio de Aplicação para que nele se fizesse a prática de ensino dos licenciados dos diversos cursos de Didática. Junto a essa iniciativa ficou determinado que o diretor do estabelecimento seria o catedrático da disciplina Didática. Assim, a primeira diretora do Colégio de Aplicação foi a professora Filocelina da Costa Matos Almeida.

A década de 60 teve por característica um intenso movimento de mudanças, adaptações e rearticulações de cursos. Neste contexto, os docentes tinham autonomia para optarem pelas disciplinas e departamentos que gostariam de se vincular. Em decorrência de todo esse processo, de 1967 a 1972, aconteceu uma verdadeira multiplicação de escolas e setores nos diferentes departamentos da universidade.

Uma das primeiras unidades a se adaptarem à Reforma Universitária promovida pelo Magnífico Reitor Aloísio Pimenta foi a Faculdade de Filosofia. Na época, as unidades se organizavam por comissões que foram substituídas por departamentos. A Comissão de Ensino transformou-se, então, em 12 de julho de 1963, no Departamento de Pedagogia e Didática, responsável pelos cursos de Pedagogia e de Didática, tendo como chefe o professor Emanuel Brandão Fontes. Os demais integrantes do primeiro departamento de Pedagogia e Didática foram Profa. Alda Lodi, Profa. Alaíde Lisboa de Oliveira, Profa. Maria Luíza de Almeida Cunha, Prof. Carlos dos Anjos Duarte de Andrada e a profa. Magda Soares. Já em 1966, o professor Aloísio Pimenta, então reitor da universidade, compareceu pessoalmente ao Departamento de Pedagogia e Didática para discutir sobre as possibilidades de criação da nova unidade denominada Faculdade de Educação. Uma comissão composta pelas professoras Alaíde Lisboa de Oliveira, Magda Soares, Maria Auxiliadora de Souza Brasil, Therezinha de Oliveira e pelos professores Agnelo Correa Vianna e Pedro Parafita de Bessa, além do aluno Nassim Gabriel Mehdeff foi instituída, com o objetivo de estudar minuciosamente como seria a organização desta faculdade: seus fins e objetivos básicos, sua contribuição acadêmica e didática, regimes de trabalho e articulação com cursos de formação de professores. Este trabalho foi apresentado em reunião de professores em 4 de janeiro de 1967.

Em função do Plano de Reestruturação da UFMG, aprovado em 28 de fevereiro de 1968, os estudos realizados no ano anterior, novamente retornam para novos encaminhamentos. Em 9 de abril de 1968, ainda sem autonomia própria de unidade acadêmica e funcionando como Departamento de Pedagogia e Didática da Faculdade de Filosofia, o Reitor Gerson de Britto Melo Boson resolve designar uma nova comissão, agora constituída pelos professores Emanuel Brandão Fontes, Alaíde Lisboa de Oliveira, Yone Scarpelli, Antonieta Bianchi, Maria Clélia Botelho, Paulo Vicente Guimarães, Nassim Gabriel Mehdeff, Magda Soares, Alípio Pires Castelo Branco e Therezinha de Oliveira, para sob a coordenação do primeiro, elaborarem o ante-projeto da estrutura administrativa e pedagógica da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais.

No final deste mesmo ano, pela portaria de 22 de novembro de 1968, a Faculdade de Educação já estava completamente estruturada apresentando, para si, os seguintes objetivos: “Formação de especialistas para todos os graus de ensino; Formação pedagógica de professores licenciados para o ensino médio em todos os ramos; Pesquisa Educacional; Desenvolvimento de experiências pedagógicas”.

Os dois primeiros objetivos estariam presos ao seu papel de unidade do sistema profissional da universidade, a pesquisa se estenderia no campo educacional, pedagógico, de planejamento da educação, economia da educação e nas demais áreas de interesse do processo educacional, a experimentação pedagógica se desenvolveria na área de métodos e técnicas de ensino, tendo como espaço prioritário a sua atuação no Centro Pedagógico, assim denominado o Colégio de Aplicação após a reforma.

Os primeiros docentes a serem lotados tinham como tarefa fundamental conferir à nova unidade acadêmica o seu contorno de centro independente, capaz de se auto gerir dentro da nova configuração da universidade prevista pela lei 5.540/68.


Estes pioneiros foram:

Para a cadeira de Administração Escolar e Educação Comparada:
• Maria Antonieta Bianchi
• Ennes Moreira Junior
• Lilia Maria Gardenal da Silva Pereira
• Maria Clélia Botelho
• Naim de Abreu Silva Leite
• Nassim Gabriel Mehedff

Para a cadeira de Didática Geral e Especial:
• Alaíde Lisboa de Oliveira
• Henrique Morandi
• Magda Soares
• Astréa de Faria Alvim Pereira
• Dirceu Braz Fonseca
• Marlene Machado Zica Viana
• Geraldo Alves
• Dionê Spitali de Mendonça Jorge
• Helio Ribeiro Gomes
• Maria Ângela de Faria Resende
• Maria de Lourdes Vargas Venâncio
• Maria Celeste da Silva Carvalho
• Neusa Oliveira Lisboa
• Norma Lúcia Faria Pereira
• Rosa Maria Barbosa da Silva Resende

Para a cadeira de Estatística Educacional
• Emanuel Brandão Fontes
• Therezinha de Oliveira
• Anna Maria Salgueiro Caldeira
• Denilton Ferreira Varandas
• Eliane Ignes Monteiro Menezes
• João Batista Duarte
• Maria Gislaine Damasceno
• Maria de Lourdes Rocha
Para a cadeira de História e Filosofia da Educação
• Raimundo Nonato Fernandes
• Ana Maria Casassanta Peixoto
• Caio Márcio Amorim Pena
• Mirene Mota Santos

Assim organizada e funcionando à Rua Carangola, no. 288, a Faculdade de Educação transferiu-se, em fevereiro de 1972, para o Campus da Universidade na Pampulha, em caráter provisório situando-se no antigo prédio do Colégio Universitário.

Desde o início de sua criação, a Faculdade de Educação teve como características a sua “extraordinária expansão e o número explosivo de alunos atendidos”. Em decorrência, a equipe de docentes foi organizada contando com um alto número de professores jovens que precisariam ser titulados para o enfrentamento do novo contexto que se abria para as Universidades com a reforma universitária. A Lei 5 540 de 28 de novembro de 1968 definia novas perspectivas para a carreira docente e isso apontava para um novo formato acadêmico para o ensino superior.

Em março de 1970, o magnífico reitor Professor Marcello Vasconcellos Coelho designou a professora Alaíde Lisboa de Oliveira para organizar o curso de pós-graduação da Faculdade de Educação da UFMG. Denominado de curso de Pós-Graduação em Educação – Didática, será em 1971 o início das atividades do curso de mestrado tendo a Metodologia de Ensino como área de concentração e a formação de especialistas nas áreas de ensino-aprendizagem como objetivo primeiro. O primeiro corpo docente foi composto pelas professoras Alaíde Lisboa de Oliveira, coordenadora, e as professoras Leila de Alvarenga Mafra, Maria Lúcia Vilhena e Zenita Guenther. Essas professoras tinham por tarefa criar um novo espaço acadêmico e, com ele, o alicerce da pesquisa em educação na universidade brasileira. Assim constituído, o curso era quase todo ministrado por professores de fora da UFMG.

A professora Magda Becker Soares, durante as comemorações dos 25 anos do programa, comenta: “O que aconteceu foi que esses cursos foram criados enfrentando enormes dificuldades: não se sabia ainda exatamente o que eram cursos em nível de pós-graduação, como deveriam ser estruturados. E, sobretudo, não havia corpo docente suficiente na instituição”. Aos poucos, um corpo estável de professores foi se integrando ao programa que adquiriu um novo formato em meados dos anos 70. Na época, novas áreas de concentração foram criadas: Ciências Sociais Aplicadas à Educação e Política e Administração do Ensino Superior. Em 1978, após um amplo processo de avaliação interna, docentes e discentes optaram por romper essas áreas de concentração e criar uma nova metodologia de trabalho. A partir de então, novas linhas e grupos de pesquisa foram se constituindo em decorrência da complexidade teórico-metodológica do campo da educação.

Em 1991, sob a coordenação da Professora Edil Vasconcellos de Paiva, cria-se o Doutorado, ampliando-se e consolidando-se a contribuição acadêmica do Programa e da Faculdade de Educação como um todo, na reflexão e investigação do fenômeno educativo.

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