|
O
OSFE
Apresentação
O
OSFE – Observatório Sociológico Família-Escola –
é um grupo de pesquisa ligado ao
Departamento de Ciências Aplicadas à Educação e ao
Programa de Pós-graduação da Faculdade de Educação
da UFMG (FaE). O grupo busca contribuir para a
problematização e a valorização da temática da relação
família-escola no âmbito da Sociologia da Educação
brasileira. Congrega pesquisadores e estudiosos em torno
da proposição, do desenvolvimento, da discussão e da
divulgação de pesquisas ligadas a esse campo de
conhecimento. Possui cadastro no Diretório de Grupos de
Pesquisa do CNPQ e está aberto à interlocução e ao
intercâmbio científico com outros grupos e/ou
pesquisadores nacionais e internacionais.
O OSFE é formado por um grupo de coordenação e por
pesquisadores associados.
O grupo de coordenação está, atualmente, constituído
pelos seguintes professores da FaE/UFMG: Profa. Dra.
Maria Alice Nogueira (coordenadora do grupo), Profa.
Dra. Maria José Braga Viana, Prof. Dr. Cláudio Marques
Nogueira, Profa. Dra. Tânia de Freitas Resende, Profa.
Dra. Maria Amália de Almeida Cunha, Profa. Dra. Maria
Teresa Gonzaga Alves, Prof. Dr. Antônio Augusto
Gomes Batista.
Os pesquisadores associados são professores da UFMG ou
de outras instituições, alunos de graduação e de pós-graduação
e pesquisadores em geral, que desenvolvem ou participam
de projetos de pesquisa em torno da temática família-escola
e que têm uma participação regular nas atividades do
OSFE.
Objetivos
-
Constituir,
na Faculdade de Educação da UFMG, uma instância
de produção e de divulgação de conhecimentos no
campo das relações família-escola, por meio da
realização de pesquisas e do desenvolvimento de
atividades científicas como seminários, colóquios,
palestras, debates e outras.
-
Contribuir
para a divulgação, problematização e valorização
desse novo objeto de estudos na Sociologia da Educação
brasileira.
topo
da página
Contexto
As
relações entre família e escola sempre estiveram, de
alguma forma, presentes nos sistemas de ensino, na
pesquisa educacional em geral e, mais especificamente,
nas preocupações dos sociólogos da Educação (Van
Zanten, 1988). Entretanto, nas últimas décadas tem-se
assistido tanto a uma intensificação dessas relações
– que passam a ser estimuladas por políticas
públicas e valorizadas no âmbito dos projetos e das
práticas pedagógicas das instituições escolares -
quanto à emergência de um campo específico de estudos
dedicado ao tema, no contexto da Sociologia da
Educação.
Segundo Van Zanten (1988), embora família e escola
sempre tenham desenvolvido relações sociais entre si,
são relativamente recentes as interações individuais
entre pais e professores, configurando uma “nova zona
de interação” entre as duas instâncias. Devido a
mudanças que se verificam tanto no modo de vida
familiar quanto nas instituições de ensino (Nogueira,
1998), família e escola vivenciam uma aproximação
cada vez maior, ou, nos dizeres de Terrail (1997), uma
verdadeira “imbricação” entre seus territórios.
Observa-se, concomitantemente, a “emergência de
um discurso – tanto por parte dos especialistas,
quanto do senso comum – que prega a importância e a
necessidade do diálogo e da parceria entre as duas
partes” (Nogueira, 1998), gerando a chamada “ideologia
da colaboração”. Políticas públicas são
organizadas no sentido de estimular essa parceria, como
no caso do “Dia Nacional da Família na Escola”,
promovido, no Brasil, pelo Ministério da Educação,
durante o governo Fernando Henrique Cardoso.
Além dessa intensificação das relações entre
família e escola no âmbito das práticas sociais e dos
discursos, assiste-se também, no contexto da Sociologia
da Educação, à emergência de um campo específico de
estudos voltado para a investigação dessas relações,
em uma perspectiva microssociológica. Isso acontece no
contexto de um movimento mais geral de reorientação da
Sociologia da Educação, ocorrido a partir dos anos
1980/1990. Nesse movimento, observa-se um “deslocamento
do olhar sociológico das macro-estruturas para as práticas
pedagógicas cotidianas” (Nogueira, 1998). Sob a
influência do instrumental antropológico (estudos
etnográficos, observação-participante) e histórico
(histórias de vida, biografias escolares), novos
objetos emergem, tais como o estabelecimento de ensino,
a sala de aula, o currículo e, interessando-nos mais
especialmente, as trajetórias escolares dos indivíduos
e as estratégias utilizadas pelas famílias no decorrer
desses itinerários; as práticas socializadoras
familiares e seu confronto com o modo de socialização
escolar. Inicia-se, dessa forma, nos principais centros
produtores de pesquisa em Sociologia da Educação –
isto é, em países como França, Suíça, Bélgica,
Inglaterra e EUA – a constituição de um novo campo
de estudos, que passa a ser conhecido como “sociologia
das relações família-escola”.
No âmbito da sociologia das relações família-escola,
o grupo familiar deixa de ser visto como mero reflexo de
sua classe social de pertencimento, passando a ser
analisado em sua especificidade, em sua dinâmica
interna e sua forma peculiar de relação com o meio
social. Considera-se que “o funcionamento e as
orientações familiares operariam como uma mediação
entre, de um lado, a posição da família na
estratificação social e, de outro, as aspirações e
condutas educativas e as relações com a escolaridade
dos filhos” (Nogueira, 1998). Verifica-se, nesse
sentido, uma aproximação entre Sociologia da
Educação e Sociologia da Família.
No Brasil, ainda não conseguimos desenvolver uma
tradição significativa de estudos na perspectiva da
sociologia das relações família-escola. De qualquer
forma, como observam Nogueira, Romanelli e Zago (2000),
o GT de Sociologia da Educação da ANPED tem
desenvolvido um notável esforço no sentido de
preencher essa lacuna. Cabe notar que, do trabalho em
rede de um grupo de pesquisadores de diferentes
universidades brasileiras, resultaram duas coletâneas
sobre o tema, ambas publicadas pela editora Vozes: a
primeira, justamente a que foi organizada por Nogueira,
Romanelli e Zago (2000), intitulada “Família e escola – trajetórias
de escolarização em camadas médias e populares”;
e a segunda, denominada “A escolarização das
elites – um panorama internacional da pesquisa”,
organizada por Almeida e Nogueira (2002). Além desses
trabalhos, diversas outras pesquisas vêm se
desenvolvendo em torno da relação família-escola,
especialmente no âmbito dos programas de
pós-graduação brasileiros. Entretanto, existe ainda
um grande campo de atuação para os estudiosos
interessados no aprofundamento da temática.
Nesse cenário, a atuação do
Observatório Sociológico Família-Escola (OSFE) se
justifica por
sua potencial contribuição para a produção
científica brasileira no terreno da Sociologia da
Educação. Dada a natureza dessa temática, o grupo se
abre também para estudos e atividades
interdisciplinares, envolvendo áreas como a
antropologia, a psicologia, a demografia, a história da
educação, a política, dentre outras.
Referências
bibliográficas:
ALMEIDA, Ana Maria F.,
NOGUEIRA, Maria Alice. A escolarização das elites:
um panorama internacional da pesquisa. Petrópolis:
Vozes, 2002.
NOGUEIRA, Maria Alice. Relação família-escola:
novo objeto na sociologia da educação. Paidéia,
Ribeirão Preto, FFCLRP-USP, v. 8, n. 14/15, p. 91-103,
fev-ago 1998.
NOGUEIRA, Maria Alice,
ROMANELLI, Geraldo, ZAGO, Nadir (Orgs.). Família e
escola: trajetórias de escolarização em camadas
médias e populares. Petrópolis:
Vozes, 2000.
TERRAIL,
Jean-Pierre. La Sociologie des interactions famille-école.
Societés contemporaines, n. 25, 1997, p. 67-83.
VAN ZANTEN, Agnes. Les familles face à l´école –
rapports institutionells et relations sociales. In:
DURNING, P. (Org.) Education familiale: un panorama des
recherches internationales. Paris:
MIRE / Matrice, 1988, p. 185 – 207.
topo
da página
|