1) Formando Professores (as) da Educação Básica para a Diversidade (2004-2005)
Coordenadora: Profª Drª Nilma Lino Gomes (FAE/UFMG) PIBIC/CNPQ

O objetivo principal da pesquisa é a realização de uma investigação no campo da formação de professores/as da educação básica, elegendo como foco principal, a formação docente voltada para a diversidade étnico/racial.

A pesquisa tem sido realizada no interior de um projeto de extensão universitária, aprovado pela Pró-Reitoria de Extensão desde o ano de 2003, que atua com a formação continuada de professores da educação básica. Trata-se do projeto “Identidades e Corporeidades Negras – Oficinas Culturais”, um dos sub-projetos do Programa de Ensino e Extensão Ações Afirmativas na UFMG, aprovado pela pró-reitoria de extensão da UFMG.

Esta experiência de extensão envolve professores e professoras da Educação Básica das redes Municipal e Estadual de Ensino e da Escola Fundamental do Centro Pedagógico da UFMG, num total de 30 integrantes.

A pesquisa tem como foco central de análise o estudo das trajetórias acadêmicas e da história de vida dos professores/as negros/as e brancos/as que participam dessa experiência de extensão na tentativa de captar os percursos escolares e particulares por eles trilhados, em que a diversidade étnico/racial se fez presente como uma questão profissional e de vida. Além disso, pretende-se conhecer e analisar os espaços de formação docente por eles/elas vivenciados, nos quais a questão da diversidade étnico/racial foi tematizada ou não e conhecer as estratégias pedagógicas implementadas por estes/as docentes, hoje, ao se relacionarem com a questão étnico/racial no cotidiano da sala de aula.

Pretende-se analisar, também, as possibilidades de interação e diálogo entre docentes negros/as e brancos/as oriundos/as de diferentes redes de ensino, porém, que se congregam espontaneamente em torno de um trabalho de formação docente voltado para a diversidade étnico/racial. O que motivou essa articulação? Quais são as principais necessidades formadoras desses sujeitos? Como a questão da diversidade étnico/racial é trabalhada por estes/as docentes no cotidiano escolar? Existem diferenças em relação ao trato dado a essa questão numa escola pública municipal, estadual ou federal? Quais? De que tipo? Essas são algumas questões que a presente pesquisa pretende investigar e trabalhar na formação do bolsista de iniciação científica.

2) Possibilidades de aprendizagem na sala de aula de língua portuguesa para alunos de pertencimento étnico racial diversificado (doutorado – ingresso 2004)
Autora: Profa Ms. Elânia de Oliveira (Escola Fundamental do Centro Pedagógico da UFMG)
Orientadora: Profa Dra Maria Lúcia Castanheira (FAE/UFMG)
Co-orientadora: Profa Dra Nilma Lino Gomes (FAE/UFMG)

Resumo:
A pesquisa tem como objetivo central investigar o papel que as práticas discursivas, na sala de aula de língua portuguesa, podem exercer sobre a formação identitária de alunos brancos e negros.

Destaca-se que, a temática das identidades surge, nesse contexto, em meio a uma concepção de linguagem como discurso que possibilita prestar atenção não só ao que as pessoas dizem mas ao como elas dizem. Na mesma direção, também caminham os estudos que repensam o papel que se dá à gramática, numa perspectiva de ensino.

A pesquisa destaca que a percepção da relação entre identidade social e pertencimento étnico-racial pode ser observada e analisada por meio da linguagem que usamos para expressar o que pensamos, o que sentimos, como somos vistos e como gostaríamos de ser vistos pelo outro. Nessa perspectiva, o projeto apresenta alguns estudos que analisam a situação da criança negra na escola, bem como as desigualdades raciais na educação.

Metodologicamente o trabalho tem sido realizado através da abordagem etnográfica interacional, que trabalha com princípios da antropologia cognitiva, sociolingüística e análise crítica do discurso. Trata-se de uma abordagem etnográfica desenvolvida em sala de aula, que tem como objetivo compreender as formas como se processam a aprendizagem, permitindo um olhar mais direcionado sobre um indivíduo e sobre o grupo com o qual ele interage. Para tal, pretende-se realizar entrevistas, gravações em áudio e vídeo, notas de campo e recolher materiais produzidos nas aulas na tentativa de compreender os comportamentos verbais e não verbais dos sujeitos entrevistados.

A investigação é realizada em uma sala de aula de língua portuguesa, com alunos do ensino fundamental, em uma escola pública de Belo Horizonte, que atende alunos negros e brancos e de nível sócio-econômico diversificado.

3) Memórias e trajetórias: um estudo de gerações negras na universidade (UNIAFRO, 2005)
Coordenadora: Profa Dra Inês Assunção de Castro Teixeira (FAE/UFMG)

Resumo:
Trata-se de uma reconstituição de histórias e trajetórias de professores(as) e estudantes(as) negros(as) na UFMG. Pretende-se não apenas registrar, mas analisar de um modo geral e na discussão com os sujeitos da pesquisa, as condições e origem de sua chegada e inserção na vida acadêmica, bem como as principais experiências que marcaram e constituíram estes tempos e espaços de suas vidas.

Destaca-se ainda a importância deste estudo, seja no que se refere à história da UFMG e de sua população negra, seja pelo que o projeto representa no sentido da formação inicial de estudantes negros que atuarão como auxiliares de pesquisa, nos domínios do trabalho com a pesquisa e com a História Oral, em particular. Ressalta-se, ainda que o estudo irá considerar além dos aspectos étnicos-raciais e geracionais, outras dimensões das clivagens sociais dos sujeitos de pesquisa, entre elas, sua origem rural e urbana, sua condição de gênero, as áreas do conhecimento e formação universitárias.

Esta pesquisa prevê a participação de bolsistas do projeto UNIAFRO, que desenvolverão atividades que objetivam desenvolver competências acadêmicas e científicas no campo da história oral.

Pretende-se entrevistar 05 bolsistas negros que já atuam no Programa Ações Afirmativas na UFMG e 05 professores(as) negros(as) que atuam como docentes em nível superior nesta universidade. Todos deverão ser oriundos de diferentes áreas do conhecimento. A realização de uma pesquisa que tem como foco a história de vida de gerações negras poderá contribuir para a reconstituição dos percursos e horizontes de formação desses sujeitos, possibilitando-nos compreender suas estratégias, a dimensão étnico-racial e de gênero em suas vidas e como estes se vêem e se percebem enquanto negros no interior da universidade. Tal pesquisa poderá também nos ajudar a compreender as estratégias de permanência construídas por duas gerações negras, antes e depois do debate e das práticas de ações afirmativas ganharem destaque na sociedade, nas universidades, na arena política e na mídia.

4) Análise e Produção de Materiais para o Ensino Crítico de Inglês: Uma Abordagem Racial.
Coordenadora: Miriam Lúcia dos Santos Jorge (FAE/UFMG)

Tendo em vista os princípios de uma abordagem crítica para o ensino de inglês (Kumaravadivelu, 2003; Pennycook, 2001; Caranagajah, 1999) a pesquisa prevê a análise e produção de materiais didáticos que se proponham a discutir questões raciais. O recorte da pesquisa, o foco nas questões raciais, justifica-se, principalmente, pelo fato de ser o Brasil em que as discussões de raça têm se ausentado dos currículos e propostas de ensino da educação básica e superior, e, além disso, Luke (2004) aponta, como razão para o engajamento na perspectiva crítica para o ensino de inglês, o ensino de língua inglesa para falantes de outras línguas como um campo pedagógico e institucional para a educação do outro racial e lingüístico (2004:2).

Materiais didáticos que busquem trazer essas questões tão apagadas na sala de aula representam uma contribuição para eliminar uma atitude de colorblindness (negação da existência de diferenças raciais). A língua estrangeira é aqui considerada um conteúdo que, pela natureza de seu ensino e aprendizagem, permite ao aprendiz distanciar-se da própria realidade para conhecer compreender uma realidade estrangeira, para depois reaproximar-se com um olhar mais crítico sobre seu próprio contexto. Assim, atividades elaboradas para o desenvolvimento das habilidades de ler, ouvir, falar e escrever na língua estrangeira passam a ser atividades que se utilizarão de textos, filmes, músicas, literatura, e outras mídias que oportunizem a discussão e reflexão das questões raciais no Brasil, promovendo, acima de tudo um ensino culturalmente relevante (Ladson- Billings, 1997).

Este projeto prevê a participação de bolsistas do projeto UNIAFRO, que desenvolverão atividades que objetivam desenvolver competências acadêmicas e científicas nas áreas de ensino de línguas estrangeiras (noções de lingüística aplicada, metodologia de ensino, análises de materiais didáticos, etc.) e nas áreas diversas do conhecimento que tem como objeto de estudo as questões raciais. Além disso, a formação do bolsista prevê o uso de diferentes tecnologias na produção de materiais didáticos. Finalmente, os alunos bolsistas produzirão materiais para o ensino de inglês teoricamente fundamentados nas leituras realizadas durante toda a pesquisa, e nos princípios do ensino comunicativo de línguas. Esses materiais serão sempre acompanhados do “guia do professor”, no qual se especificam os procedimentos para o uso em sala de aula, além de ter uma preocupação com a formação do próprio professor.

A formação do bolsista nesse projeto prevê, ainda, a participação em eventos e publicação de artigos que possam divulgar o trabalho realizado, de forma que os bolsistas tenham oportunidades de desenvolver as habilidades necessárias a diferentes práticas acadêmicas. A avaliação dos bolsistas será feita através do acompanhamento pela orientadora, pelo envolvimento na pesquisa e pela elaboração de um portfolio, no qual será documentada a produção do bolsista, acompanhado das devidas reflexões e ancoragem teórica.

5) Expectativas educacional e ocupacional como condicionante da estratificação social: uma análise comparativa entre estudantes brancos e negros em Belo Horizonte
Autor: Rodrigo Ednilson de Jesus (mestrado em Sociologia – FAFICH/UFMG)
Orientadora: Danielle Cireno Fernandes/ DSOA

Nos estudos recentes sobre desigualdades raciais no Brasil há uma tendência histórica em diagnosticar a reprodução das desigualdades no que diz respeito ao alcance educacional e ocupacional de negros e brancos. Entendendo as expectativas como projeções de possibilidades relativas ao alcance escolar e ocupacional, dado o conhecimento que o indivíduo possui de situações e eventos passados, sobre si próprio ou a seu grupo de referência, levanta-se como hipótese o fato de tais expectativas se diferenciarem na mesma medida em que se diferenciam as trajetórias, educacional e ocupacional, do indivíduo e de seu grupo de referência.

Assim, ainda que as expectativas estejam intimamente relacionadas com questões objetivas, como desempenho escolar e status socioeconômico (Bourdieu, 1990), estas conclusões não poderiam ser aplicadas a caso de grupos estigmatizados (Goffman, 1978), como mulheres, negros, homossexuais. As representações coletivas sobre estes grupos afetariam, decisivamente, a construção da alter e auto-imagem, e que, conseqüentemente, interfeririam na construção de suas expectativas.

O objetivo deste trabalho é comparar as expectativas de alcance ocupacional de negros e brancos, por meio de dados quantitativos e, ao mesmo tempo, compreender as causas e significados das diferenças ou semelhanças entre essas expectativas, por meio de entrevistas e grupos focais

6) As trajetórias políticas de mulheres negras, militantes do movimento de mulheres negras de Belo Horizonte: possibilidades de pedagogias de raça e gênero ressignificadas. (mestrado, 2005, em andamento)
Autora: Michele Lopes da Silva
Orientadora: Profa Dra Nilma Lino Gomes (FAE/UFMG)
Co-orientadora: Profa Dra Antônia Vitória Soares Aranha (FAE/UFMG)

Resumo:
Pretende-se, através de uma pesquisa focalizando a história de vida de 06 mulheres negras, militantes do Movimento de Mulheres Negras de Belo Horizonte (M.M.N.), compreender, quais os significados e sentidos de “ser mulher negra” autoconcebidos por essas mulheres, no decorrer das suas trajetórias políticas.

A escolha pela investigação das trajetórias políticas das mulheres negras poderá contribuir para a compreensão de quem são, de onde vêm, o que pensam e de que forma o M.M.N. contribui, educa e deseduca essas mulheres na construção do sujeito mulher negra. Além disso, poderá nos mostrar a maneira pela qual as intervenções das mulheres negras contribuem para a constituição e continuidade do próprio M.M.N. Pressupõe-se que os significados e sentidos com os quais as mulheres negras se autoconcebem possibilitam dar vida e forma à sua organização em movimento.

Pretende-se, portanto, investigar as possibilidades de ressignificação do ser mulher negra vivenciadas pelas militantes do M.M.N. através da construção de pedagogias de raça e gênero desenvolvidas por estas ao longo das suas trajetórias políticas.

7) Professores(as) universitários(as) negros(as): percursos identitários
(mestrado, 2006, em andamento)
Autora: Ana Amélia de Paula Laborne
Orientadora: Profa Dra Nilma Lino Gomes (FAE/UFMG)
Co-orientador: Prof Dr Luiz Alberto Oliveira Gonçalves (FAE/UFMG)

Resumo:
As desigualdades que caracterizam o Brasil ocorrem em uma sociedade racialmente heterogênea, estando correlacionadas com a herança de um passado escravista e traduzindo-se em desigualdades entre os sujeitos socialmente classificados em categorias raciais.

A literatura sobre desigualdade racial no Brasil tem apontado a pouca presença dos negros no ensino superior brasileiro desvelando a relação existente entre raça e escolaridade. Se os dados oficiais do IPEA e do IBGE atestam a baixa representatividade de negros nos cursos de graduação do Brasil, qual será a representatividade desse segmento étnico-racial nos cursos de pós-graduação? E qual será a sua presença como docente do ensino superior? Como e qual será a representatividade de professores universitários negros(as) nas universidades públicas federais, localizadas na região sudeste do Brasil? Essas são algumas indagações que orientam a presente pesquisa. Para tal, tomamos como estudo de caso a Universidade Federal de Minas Gerais - considerada uma das maiores universidades do sistema federal de ensino – a qual se coloca publicamente no cenário nacional, como uma das instituições reticentes à implantação de políticas de ação afirmativas.

Esta investigação tem como objetivo central conhecer as trajetórias de vida de professores negros na UFMG, as condições do seu ingresso e inserção na vida acadêmica, bem como as principais experiências que marcaram e constituíram essa trajetória, buscando compreender os processos de construção de suas identidades étnico-raciais e a existência ou não da correlação entre raça e escolaridade na sua história familiar. Pretende-se reconstituir os percursos e horizontes de formação desses sujeitos, na tentativa de compreender suas estratégias de inserção social e escolar, a dimensão étnico-racial e de gênero em suas vidas e como estes se percebem enquanto professores negros no interior de uma universidade pública. No momento atual, no qual o debate sobre a inserção dos negros no ensino superior se faz mais presente na sociedade brasileira, pretende-se compreender, também, os discursos e práticas construídos pelos sujeitos no tocante à discussão sobre as ações afirmativas na universidade.