2) Possibilidades de
aprendizagem na sala de aula de língua portuguesa para alunos de pertencimento
étnico racial diversificado (doutorado – ingresso 2004)
Autora: Profa Ms. Elânia de Oliveira (Escola Fundamental
do Centro Pedagógico da UFMG)
Orientadora: Profa Dra Maria Lúcia Castanheira (FAE/UFMG)
Co-orientadora: Profa Dra Nilma Lino Gomes (FAE/UFMG)
Resumo:
A pesquisa tem como objetivo central investigar o papel que as práticas
discursivas, na sala de aula de língua portuguesa, podem exercer sobre
a formação identitária de alunos brancos e negros.
Destaca-se que, a temática das identidades surge, nesse contexto, em
meio a uma concepção de linguagem como discurso que possibilita
prestar atenção não só ao que as pessoas dizem mas
ao como elas dizem. Na mesma direção, também caminham os
estudos que repensam o papel que se dá à gramática, numa
perspectiva de ensino.
A pesquisa destaca que a percepção da relação entre
identidade social e pertencimento étnico-racial pode ser observada e
analisada por meio da linguagem que usamos para expressar o que pensamos, o
que sentimos, como somos vistos e como gostaríamos de ser vistos pelo
outro. Nessa perspectiva, o projeto apresenta alguns estudos que analisam a
situação da criança negra na escola, bem como as desigualdades
raciais na educação.
Metodologicamente o trabalho tem sido realizado através da abordagem
etnográfica interacional, que trabalha com princípios da antropologia
cognitiva, sociolingüística e análise crítica do discurso.
Trata-se de uma abordagem etnográfica desenvolvida em sala de aula, que
tem como objetivo compreender as formas como se processam a aprendizagem, permitindo
um olhar mais direcionado sobre um indivíduo e sobre o grupo com o qual
ele interage. Para tal, pretende-se realizar entrevistas, gravações
em áudio e vídeo, notas de campo e recolher materiais produzidos
nas aulas na tentativa de compreender os comportamentos verbais e não
verbais dos sujeitos entrevistados.
A investigação é realizada em uma sala de aula de língua
portuguesa, com alunos do ensino fundamental, em uma escola pública de
Belo Horizonte, que atende alunos negros e brancos e de nível sócio-econômico
diversificado.
3) Memórias e trajetórias:
um estudo de gerações negras na universidade (UNIAFRO, 2005)
Coordenadora: Profa Dra Inês Assunção de
Castro Teixeira (FAE/UFMG)
Resumo:
Trata-se de uma reconstituição de histórias e trajetórias
de professores(as) e estudantes(as) negros(as) na UFMG. Pretende-se não
apenas registrar, mas analisar de um modo geral e na discussão com os
sujeitos da pesquisa, as condições e origem de sua chegada e inserção
na vida acadêmica, bem como as principais experiências que marcaram
e constituíram estes tempos e espaços de suas vidas.
Destaca-se ainda a importância deste estudo, seja no que se refere à
história da UFMG e de sua população negra, seja pelo que
o projeto representa no sentido da formação inicial de estudantes
negros que atuarão como auxiliares de pesquisa, nos domínios do
trabalho com a pesquisa e com a História Oral, em particular. Ressalta-se,
ainda que o estudo irá considerar além dos aspectos étnicos-raciais
e geracionais, outras dimensões das clivagens sociais dos sujeitos de
pesquisa, entre elas, sua origem rural e urbana, sua condição
de gênero, as áreas do conhecimento e formação universitárias.
Esta pesquisa prevê a participação de bolsistas do projeto
UNIAFRO, que desenvolverão atividades que objetivam desenvolver competências
acadêmicas e científicas no campo da história oral.
Pretende-se entrevistar 05 bolsistas negros que já atuam no Programa
Ações Afirmativas na UFMG e 05 professores(as) negros(as) que
atuam como docentes em nível superior nesta universidade. Todos deverão
ser oriundos de diferentes áreas do conhecimento. A realização
de uma pesquisa que tem como foco a história de vida de gerações
negras poderá contribuir para a reconstituição dos percursos
e horizontes de formação desses sujeitos, possibilitando-nos compreender
suas estratégias, a dimensão étnico-racial e de gênero
em suas vidas e como estes se vêem e se percebem enquanto negros no interior
da universidade. Tal pesquisa poderá também nos ajudar a compreender
as estratégias de permanência construídas por duas gerações
negras, antes e depois do debate e das práticas de ações
afirmativas ganharem destaque na sociedade, nas universidades, na arena política
e na mídia.
4) Análise e
Produção de Materiais para o Ensino Crítico de Inglês:
Uma Abordagem Racial.
Coordenadora: Miriam Lúcia dos Santos Jorge (FAE/UFMG)
Tendo em vista os princípios de uma abordagem crítica para o ensino
de inglês (Kumaravadivelu, 2003; Pennycook, 2001; Caranagajah, 1999) a
pesquisa prevê a análise e produção de materiais
didáticos que se proponham a discutir questões raciais. O recorte
da pesquisa, o foco nas questões raciais, justifica-se, principalmente,
pelo fato de ser o Brasil em que as discussões de raça têm
se ausentado dos currículos e propostas de ensino da educação
básica e superior, e, além disso, Luke (2004) aponta, como razão
para o engajamento na perspectiva crítica para o ensino de inglês,
o ensino de língua inglesa para falantes de outras línguas como
um campo pedagógico e institucional para a educação do
outro racial e lingüístico (2004:2).
Materiais didáticos que busquem trazer essas questões tão
apagadas na sala de aula representam uma contribuição para eliminar
uma atitude de colorblindness (negação da existência de
diferenças raciais). A língua estrangeira é aqui considerada
um conteúdo que, pela natureza de seu ensino e aprendizagem, permite
ao aprendiz distanciar-se da própria realidade para conhecer compreender
uma realidade estrangeira, para depois reaproximar-se com um olhar mais crítico
sobre seu próprio contexto. Assim, atividades elaboradas para o desenvolvimento
das habilidades de ler, ouvir, falar e escrever na língua estrangeira
passam a ser atividades que se utilizarão de textos, filmes, músicas,
literatura, e outras mídias que oportunizem a discussão e reflexão
das questões raciais no Brasil, promovendo, acima de tudo um ensino culturalmente
relevante (Ladson- Billings, 1997).
Este projeto prevê a participação de bolsistas do projeto
UNIAFRO, que desenvolverão atividades que objetivam desenvolver competências
acadêmicas e científicas nas áreas de ensino de línguas
estrangeiras (noções de lingüística aplicada, metodologia
de ensino, análises de materiais didáticos, etc.) e nas áreas
diversas do conhecimento que tem como objeto de estudo as questões raciais.
Além disso, a formação do bolsista prevê o uso de
diferentes tecnologias na produção de materiais didáticos.
Finalmente, os alunos bolsistas produzirão materiais para o ensino de
inglês teoricamente fundamentados nas leituras realizadas durante toda
a pesquisa, e nos princípios do ensino comunicativo de línguas.
Esses materiais serão sempre acompanhados do “guia do professor”,
no qual se especificam os procedimentos para o uso em sala de aula, além
de ter uma preocupação com a formação do próprio
professor.
A formação do bolsista nesse projeto prevê, ainda, a participação
em eventos e publicação de artigos que possam divulgar o trabalho
realizado, de forma que os bolsistas tenham oportunidades de desenvolver as
habilidades necessárias a diferentes práticas acadêmicas.
A avaliação dos bolsistas será feita através do
acompanhamento pela orientadora, pelo envolvimento na pesquisa e pela elaboração
de um portfolio, no qual será documentada a produção do
bolsista, acompanhado das devidas reflexões e ancoragem teórica.
5) Expectativas
educacional e ocupacional como condicionante da estratificação
social: uma análise comparativa entre estudantes brancos e negros em
Belo Horizonte
Autor: Rodrigo Ednilson de Jesus (mestrado em Sociologia –
FAFICH/UFMG)
Orientadora: Danielle Cireno Fernandes/ DSOA
Nos estudos recentes
sobre desigualdades raciais no Brasil há uma tendência histórica
em diagnosticar a reprodução das desigualdades no que diz respeito
ao alcance educacional e ocupacional de negros e brancos. Entendendo as expectativas
como projeções de possibilidades relativas ao alcance escolar
e ocupacional, dado o conhecimento que o indivíduo possui de situações
e eventos passados, sobre si próprio ou a seu grupo de referência,
levanta-se como hipótese o fato de tais expectativas se diferenciarem
na mesma medida em que se diferenciam as trajetórias, educacional e ocupacional,
do indivíduo e de seu grupo de referência.
Assim, ainda que as expectativas estejam intimamente relacionadas com questões
objetivas, como desempenho escolar e status socioeconômico (Bourdieu,
1990), estas conclusões não poderiam ser aplicadas a caso de grupos
estigmatizados (Goffman, 1978), como mulheres, negros, homossexuais. As representações
coletivas sobre estes grupos afetariam, decisivamente, a construção
da alter e auto-imagem, e que, conseqüentemente, interfeririam na construção
de suas expectativas.
O objetivo deste trabalho é comparar as expectativas de alcance ocupacional
de negros e brancos, por meio de dados quantitativos e, ao mesmo tempo, compreender
as causas e significados das diferenças ou semelhanças entre essas
expectativas, por meio de entrevistas e grupos focais
6) As trajetórias
políticas de mulheres negras, militantes do movimento de mulheres negras
de Belo Horizonte: possibilidades de pedagogias de raça e gênero
ressignificadas. (mestrado, 2005, em andamento)
Autora: Michele Lopes da Silva
Orientadora: Profa Dra Nilma Lino Gomes (FAE/UFMG)
Co-orientadora: Profa Dra Antônia Vitória Soares
Aranha (FAE/UFMG)
Resumo:
Pretende-se, através de uma pesquisa focalizando a história de
vida de 06 mulheres negras, militantes do Movimento de Mulheres Negras de Belo
Horizonte (M.M.N.), compreender, quais os significados e sentidos de “ser
mulher negra” autoconcebidos por essas mulheres, no decorrer das suas
trajetórias políticas.
A escolha pela investigação das trajetórias políticas
das mulheres negras poderá contribuir para a compreensão de quem
são, de onde vêm, o que pensam e de que forma o M.M.N. contribui,
educa e deseduca essas mulheres na construção do sujeito mulher
negra. Além disso, poderá nos mostrar a maneira pela qual as intervenções
das mulheres negras contribuem para a constituição e continuidade
do próprio M.M.N. Pressupõe-se que os significados e sentidos
com os quais as mulheres negras se autoconcebem possibilitam dar vida e forma
à sua organização em movimento.
Pretende-se, portanto, investigar as possibilidades de ressignificação
do ser mulher negra vivenciadas pelas militantes do M.M.N. através da
construção de pedagogias de raça e gênero desenvolvidas
por estas ao longo das suas trajetórias políticas.
7) Professores(as) universitários(as)
negros(as): percursos identitários
(mestrado, 2006, em andamento)
Autora: Ana Amélia de Paula Laborne
Orientadora: Profa Dra Nilma Lino Gomes (FAE/UFMG)
Co-orientador: Prof Dr Luiz Alberto Oliveira Gonçalves (FAE/UFMG)
Resumo:
As desigualdades que caracterizam o Brasil ocorrem em uma sociedade racialmente
heterogênea, estando correlacionadas com a herança de um passado
escravista e traduzindo-se em desigualdades entre os sujeitos socialmente
classificados em categorias raciais.
A literatura sobre desigualdade racial no Brasil tem apontado a pouca presença dos negros no ensino superior brasileiro desvelando a relação existente entre raça e escolaridade. Se os dados oficiais do IPEA e do IBGE atestam a baixa representatividade de negros nos cursos de graduação do Brasil, qual será a representatividade desse segmento étnico-racial nos cursos de pós-graduação? E qual será a sua presença como docente do ensino superior? Como e qual será a representatividade de professores universitários negros(as) nas universidades públicas federais, localizadas na região sudeste do Brasil? Essas são algumas indagações que orientam a presente pesquisa. Para tal, tomamos como estudo de caso a Universidade Federal de Minas Gerais - considerada uma das maiores universidades do sistema federal de ensino – a qual se coloca publicamente no cenário nacional, como uma das instituições reticentes à implantação de políticas de ação afirmativas.
Esta investigação tem como objetivo central conhecer as trajetórias
de vida de professores negros na UFMG, as condições do seu ingresso
e inserção na vida acadêmica, bem como as principais experiências
que marcaram e constituíram essa trajetória, buscando compreender
os processos de construção de suas identidades étnico-raciais
e a existência ou não da correlação entre raça
e escolaridade na sua história familiar. Pretende-se reconstituir os
percursos e horizontes de formação desses sujeitos, na tentativa
de compreender suas estratégias de inserção social e escolar,
a dimensão étnico-racial e de gênero em suas vidas e como
estes se percebem enquanto professores negros no interior de uma universidade
pública. No momento atual, no qual o debate sobre a inserção
dos negros no ensino superior se faz mais presente na sociedade brasileira,
pretende-se compreender, também, os discursos e práticas construídos
pelos sujeitos no tocante à discussão sobre as ações
afirmativas na universidade.